Domingo, Junho 21, 2009

Tempo

3 pensamentos alheios

São onze horas e quatro minutos. Não consigo dormir. Não paro de pensar no tempo. No seu significado, na sua importância. Ou na falta dela. No tempo que perdemos ao longo das nossas vidas. Talvez até pensar no próprio tempo seja uma perda de tempo.
Vivemos toda a nossa vida sempre com horários a cumprir. Dizemos que temos falta de tempo, ou tempo a mais. Tanto que nem sabemos o que fazer com ele. Em alguns casos, vivemos tão apressados que nem damos pelo tempo passar. E, quando finalmente paramos um bocadinho, damo-nos conta que já somos grisalhos, temos rugas no rosto e já não temos a mesma vitalidade que outrora nos acompanhava. Fomos crescendo e nem demos conta. Vivemos sem viver. E, no final, gostaríamos de ter mais tempo. Ou de voltar atrás no tempo. Noutros casos, achamos que o tempo nunca mais passa, parece que quanto mais depressa queremos que ele ande, mais devagar ele avança. Queremos crescer depressa, mas parece que estamos agarrados à infância e à adolescência até ao final das nossas vidas. Queremos ser adultos mas, quando finalmente o somos, gostaríamos de voltar a ser crianças.
Estranha coisa, o tempo… Tem sempre o mesmo período, mas tanto parece mais rápido como mais lento, dependendo das situações…
Mas, afinal, o que é o tempo? Porque existe? Para que serve? Sentimos as suas marcas, a sua passagem por nós… Mas será mesmo importante?
É necessário haver uma estrutura na nossa vida, algumas regras que depois podemos quebrar. É importante que haja tempo, que exista horários... Mas não devemos, nem podemos, ser seus escravos. Escravos do tempo, escravos da nossa própria existência. Temos uma vida, devemos aproveitá-la ao máximo! Aproveitar o tempo, saber geri-lo. Tornar do tempo nosso aliado e não nosso inimigo. Porque, apesar de tudo, o nosso tempo aqui na Terra é muito pouco, quase nada. Há tanta coisa para ver, para sentir, para cheirar, para fazer. Não só como passatempo e para nosso próprio prazer como para melhorar o Mundo em geral, para ajudar quem mais precisa, para fazer a diferença. Com um gesto, um sorriso, uma palavra… Algo tão pequeno mas que pode fazer tanta diferença… E, às vezes, nem sequer temos tempo para tão pequenas coisas…
São onze horas e trinta e oitos minutos. Agora sim posso dormir.

Sexta-feira, Maio 08, 2009

A Guerra

2 pensamentos alheios

“Só tu sabes como me encontrar no meio do deserto. Só tu sabes as palavras certas para me dizer quando estou triste. Só tu tens o dom de me aquecer com o teu simples abraço ou sorriso. Só tu fazes a minha vida valer a pena. Só tu, meu amor. Só tu…” – Foram as suas últimas palavras meu General… Penso que estava a delirar. Com a sua mulher, namorada, amada… Nem sei… Talvez nem fosse casado, talvez não tivesse namorada, sequer… Mas tinha alguém a morar no seu coração. Não o conhecia bem e, no entanto, sinto a imensa dor da sua morte. Está um calor infernal aqui. Porque continuamos? Porque não partimos já amanhã ou ainda hoje? Estamos a combater numa guerra que não é nossa, que não nos pertence. A verter as nossas lágrimas, suor e sangue. A desperdiçar as nossas vidas, um bem tão precioso, em algo que não faz sentido. Dê a ordem de retirada, meu General! Mande os homens para casa, para perto dos seus, das suas famílias que os esperam, cheios de esperança no seu regresso! Mande-os de volta ao seu país, aos seus lares. Estes homens não merecem estar aqui! Morrer aqui! Ninguém merece! O Homem é feito para amar, não para odiar, meu General! Foi feito para criar, não destruir. E, no entanto, aqui estamos nós a trocar balas em vez de palavras. Apesar de, muitas vezes, as palavras serem bem piores que balas… Mas aqui estamos nós a tirar vida, quando poderíamos estar a dar vida. Aqui estamos, debaixo deste Sol que nos queima, destas balas que nos ferem, com essas saudades de quem amamos que nos destrói o coração. E para quê, meu General? Qual o verdadeiro objectivo disto tudo? Vencer? Derrotar o inimigo? Estamos a lutar contra os nossos próprios irmãos! Aqui, sairemos todos derrotados… Ninguém terá vitória… A não ser, talvez, aqueles que o mandaram, meu General, comandar este exército. Esses sim terão uma vitória. Injusta, bem sei, mas para eles pouco importa… A vida de um homem não tem qualquer importância se esses, auto-considerados superiores, ganharem algo com isto tudo. Peço-lhe, meu General… Já se perderam demasiadas vidas inocentes nesta guerra… Quantos mais homens terão que morrer? Quantos mais homens terão que ir para a enfermaria, feridos, e mandados de voltar para casa sem dignidade pois, não estando em condições de pegar numa espingarda e disparar, são inúteis, não servem para nada e são tratados como cães? Meu General, sabia que metade desses homens se fere propositadamente pois não aguenta mais este inferno? Para poderem ir para casa, para junto dos seus? E muitos deles acabam por morrer, neste acto de loucura que a saudade provoca. Dê a ordem de retirada meu General! A guerra não traz nada de bom, só mau… Vamos pôr fim a esta guerra, que sirva de exemplo a outras que há no Mundo, e que faça com que mais não existam posteriormente! Seria um acto de valentia, de bravura, meu General! Dê a ordem de retirada…

Domingo, Janeiro 06, 2008

Memórias

3 pensamentos alheios

Cresci no meio de uma pequena floresta, no Norte do país, há cerca de vinte anos atrás, não sei ao certo. Era um sítio maravilhoso, repleto de árvores enormes, árvores essas que davam uma sombra divinal nos dias quentes de Verão e me protegiam da chuva e do frio durante o Inverno.
Tive uma infância cheia de felicidade, onde m
e envolvi de tal forma com a Natureza que sentia que fazia parte dela. A minha família sempre me disse que eu própria era Natureza, mas nunca acreditei… É algo demasiado belo para se ser.
Conheci todo o tipo de animais, dava-me bem com eles e eles adoravam brincar comigo. Esquilos, veados, raposas, coelhos, cucos... Aves gostavam de descansar nos meus ombros, e eu sentia-me importante ao tê-las lá. As mais belas criatura
s do Mundo ali se encontravam, habitando naquele Paraíso na Terra a que eu chamava de “lar”.
Fui crescendo, sempre rodeado de grandes amigos e companheiros: aquelas árvores, aqueles animais… Um pequeno rio que corria mais adiante, deixando no ar o doce som das águas. A floresta era o meu porto de abrigo, um local onde me sentia segura, protegida da maldade do mundo que, na altura, ainda não sabia que existia. Era dona de uma enorme inocência e paz interior. Podia afirmar, com todas as forças
do meu ser, que era feliz! Imensamente feliz! Tinha tudo o que precisava, não podia pedir mais.
Mas um dia, sem que nada o fizesse prever, tudo mudou…
Era uma calma manhã de Outono, as folhas das árvores tinham lindos tons de castanho, amarelo e vermelho. O rio corria tranquilamente, beijando as pedrinhas que debaixo dele viviam. Os animais ainda dormitavam, alguns preparavam-se para hibernar pois o Inverno estava próximo, o Sol ter-se-ia acabado de levanta
r… Fui acordada repentinamente por um barulho ensurdecedor que nunca tinha ouvido antes. Seria de um animal desconhecido? Seria uma brisa do vento? Ou um vendaval…? Algo comum nesta altura do ano… Mas não…! Era o som da destruição. Mais tarde viria a saber que os humanos lhe deram o nome de escavadora. Apercebi-me então que metade da floresta tinha desaparecido, e outra metade estava em processo de desaparecimento… Vi a minha casa ser destruída, o meu lar, o meu pequeno Paraíso… Toda a minha família morreu, assim como todos os meus amigos, levados por aquela máquina infernal. A minha vida foi totalmente destruída…
Sou uma árvore. Um pequeno pinheir
o que sobreviveu à maldade do homem, mas que morreu em espírito no dia em que a ignorância humana destruiu o mais belo lugar da Terra, para lá colocar pedaços de cimento a que chamam de “centro comercial”.

Domingo, Fevereiro 11, 2007

Carta a um amigo

1 pensamentos alheios

Lisboa, 15 de Fevereiro de 1968

Caro amigo:

Recebi hoje a sua carta. Devo dizer que fiquei imensamente feliz ao lê-la. A forma como descreve os Alpes é extraordinária, a sua escrita empolgante dá vontade de viajar, ver o Mundo! E você já esteve em tantos lugares… E eu, que nunca sai do meu pequeno quarto escuro, sinto que já viajei pelo Mundo inteiro, nessas viagens extraordinárias que me descreve com tanto pormenor nas suas cartas. E talvez até tenha viajado… Pelo menos em sonhos! Ah, e é tão bom sonhar! É a única coisa sob a qual não podem ter controlo… Os meus sonhos! Os meus pensamentos! O que está no meu interior e não sai a público! Talvez deva ter cuidado ao dizer estas coisas numa carta… Pois, apesar de ser só para si, nunca se sabe quem poderá ler. Mas, ao escrever, sinto-me liberto! Sinto que sou livre, que posso voar mesmo não tendo asas como os pássaros. E, se Eles me apanharem, me prenderem… Ao menos sei que um dia fui livre! Ou que, pelo menos, me senti livre… E não há nada melhor do que a liberdade e o sonho!
As suas cartas dão-me vontade para continuar a viver, dão-me esperança que um dia tudo será diferente, que cada um poderá dizer o que pensa, sem ser julgado por isso. Você, caro amigo, já viu tanto! Já conheceu tantas culturas, tantos países, tantas pessoas diferentes, tantas maneiras de pensar! Outras mentalidades… Talvez mais evoluídas que a mentalidade deste país, onde tudo é mentira, onde há opressão.
Sonho com um Mundo livre, não só em mentalidade… Em que cada um possa dizer o que pensa, o que quer e que ninguém seja julgado como inferior, onde sejamos todos iguais, independentemente da cor da pele e das crenças, onde não haja fome, escravatura, pobreza, ditadura.
Sonharei eu com uma utopia, caro amigo? Talvez… Mas não basta o sonho! Para um Mundo melhor não basta o sonho! É necessário agir, e depressa… Estamos a ficar sem tempo…
Muito obrigado pela sua carta! Espero receber outra breve!

Com uma enorme admiração,
António Silva

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Um novo começo

6 pensamentos alheios

"Blog" de pensamentos, se66ntimentos, filosofias, textos que vou escrevendo... Não "blog" de escrever todos os dias. Começado hoje, para escrever a partir de hoje. O porquê de "Mundo Indefinido"? Sinceramente não sei... Soou-me bem e acho que o nosso Mundo é mesmo assim... Indefinido e sem qualquer hipótese de tentativa de definição.

Encontra-me aqui

 

Copyright 2008 All Rights Reserved | Blogger Template by Bloganol and Smart Blogging Tips | Distributed by Deluxe Templates