Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

A pintura


"Com cores se criam histórias", dizia a professora, com um olhar muito brilhante e um enorme sorriso nos lábio. Eu não estava a perceber o que ela queria dizer com aquelas palavras e franzi o sobrolho. Ela, sempre atenta aos seus alunos, apercebeu-se da minha intriga e desconfiança. Foi a uma enorme bolsa que trazia sempre consigo e retirou de lá grandes folhas brancas, aguarelas e pincéis. Olhou para a turma e exclamou: "Hoje vamos pintar! Quero que cada um pegue numa folha, num pincel e em todas as cores que conseguirem, que abram a mente e desenhem, pintem, escrevam!" Peguei na folha e num pincel, um pouco a medo, pois nunca tinha experimentado tal coisa. Mas mal a minha pequenina mão deslizou pelo pincel, foi como se as tintas me controlassem e não eu a elas. Desenhei e pintei, cheio de entusiasmo! Devia ter um dom que desconhecia, estava em mim a alma de um génio, iria ser um pintor conhecido, a minha obra iria ser admirada e apreciada por todos! Entreguei, cheio de orgulho, a minha obra prima à professora. Ela iria ser a primeira pessoa a ter o privilégio de olhar para uma obra do grande pintor Fernandinho de Sousa! Ela observou, durante uns longos dez minutos o pedaço de papel e disse, com um ar muito triste: "Fernandinho, isto é apenas um borrão no papel, uma grande mancha... Até o meu gato fazia melhor...".

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

O Tesouro


Naquela bonita manhã de Primavera, acordei com o Sol a beijar-me a face. Como é bom descansar depois de um dia inteiro de trabalho! Aquele calor matinal fez-me sorrir e pensar como era maravilhoso estar finalmente de férias! Levantei-me, ainda um pouco sem tino, pois o sono continuava a me pesar nos olhos, e fui ao quarto dos miúdos. Vi que ainda estavam dormindo e decidi dar um passeio matinal pela praia, que estava mesmo ali ao pé. Vesti a primeira coisa que encontrei no armário, e fiz-me à estrada, a pé, para apreciar aquele vento que tornava o Sol tão agradável. Quando cheguei à praia e toquei com os pés descalços na areia, senti uma harmonia nunca antes sentida e fiquei encantada com a cor do mar, o movimento das suas ondas, um cheirinho a maresia que nos faz sonhar. Virei a cabeça para observar com atenção a extensão da praia e vi que algo brilhava na areia. Ergui a mão para dar algum exercício ao braço, e voltei a descê-la até aos grãozinhos de areia. Reparei, então, que algo estava lá enterrado, apenas com uma pontinha de fora. Comecei a escavar e apercebi-me que encontrara algo valioso. Na altura ainda não sabia que aquele achado iria mudar a minha vida para sempre... Aquele estranho objecto que tentava retirar das profundezas do areal era, nem mais nem menos, do que o tesouro de um famoso pirata, falecido havia muitos anos, e que estava protegido por uma maldição.

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

Snoopy Parade - Lisboa

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Snoopy Parade - Lisboa, um álbum no Flickr.

Vinte estátuas do Snoopy estão em Lisboa, na Avenida Duque d'Ávila, até ao dia 15 de Agosto. As estátuas foram pintadas por artistas e/ou personalidades conhecidas, como Herman José, Nuno Markl, Ana Galvão, entre outros. É uma iniciativa da Copyright Promotions e da Peanuts Worldwide, inserida nas comemorações dos 60 anos do Snoopy.

As estátuas, com 2,6 metros de altura, vão ser leiloadas em Outubro, revertendo a totalidade das verbas arrecadadas para o programa Escolas para África da UNICEF. Este programa tem como objectivo assegurar o acesso equitativo das crianças a uma educação básica de qualidade em 11 países africanos.

Um dos Snoopys desapareceu... Suponho que alguém o resolveu levar para casa...

Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011

A viagem de avião

Naquela manhã, o Ernesto acordou muito bem disposto. Ao contrário do que acontecia nos dias de escola, acordou ainda antes do despertador tocar, levantou-se da cama e foi abrir os cortinados azul celeste, que davam a escuridão ideal ao quarto para se dormir uma noite descansada. Através da janela do seu quarto, Ernesto pôde ver como o Sol lhe dava os bons dias, as árvores se agitavam docemente ao sabor do vento e os pássaros cantavam alegremente. Estava um dia bonito e Ernesto ficou ainda mais contente. Vestiu-se a correr, sem reparar que tinha vestido a camisola ao contrário, e foi acordar os pais. Estava na hora, que faziam eles ainda na cama? A despachar, a despachar, senão ainda perdemos o avião!
Era a primeira vez que o pequeno Ernestinho ia andar de avião e estava muito entusiasmado! Abria a boca de espanto ao ver tantas pessoas, tantas bagagens, tantos senhores com uniformes engraçados! "São os pilotos", dizia a mãe ternamente.
Ernesto não parava quieto um só segundo, até se sentar no lugar 27-A, bem pertinho da janela do avião. Ele olhava, espantado, para as pessoas e a paisagem, que iam ficando cada vez mais pequenas, à medida que subia nos céus... Estavam já alto, mas Ernestinho, através da janela oval, ainda via a alma da cidade.
Aquela enorme excitação dera a Ernesto uma grande vontade de comer, mas os pais tinham-lhe dito que, por ser uma viagem pequena, não serviam refeições. Ernerto, agarrado à barriga que fazia uma enorme barulho, olhava através da janela do avião e via bacalhau assado com batatas a murro, bolos e salgadinhos com um aspecto delicioso... Todo um rol de iguarias. Com água a crescer-lhe na boca, acabou por adormecer, sonhando com grandes banquetes e muita comida.
A sua primeira viagem de avião, o momento pelo qual esperara nos dez anos da sua existência, tinha sido passada a dormir e a sonhar com alimentos...