Vivemos toda a nossa vida sempre com horários a cumprir. Dizemos que temos falta de tempo, ou tempo a mais. Tanto que nem sabemos o que fazer com ele. Em alguns casos, vivemos tão apressados que nem damos pelo tempo passar. E, quando finalmente paramos um bocadinho, damo-nos conta que já somos grisalhos, temos rugas no rosto e já não temos a mesma vitalidade que outrora nos acompanhava. Fomos crescendo e nem demos conta. Vivemos sem viver. E, no final, gostaríamos de ter mais tempo. Ou de voltar atrás no tempo. Noutros casos, achamos que o tempo nunca mais passa, parece que quanto mais depressa queremos que ele ande, mais devagar ele avança. Queremos crescer depressa, mas parece que estamos agarrados à infância e à adolescência até ao final das nossas vidas. Queremos ser adultos mas, quando finalmente o somos, gostaríamos de voltar a ser crianças.
Estranha coisa, o tempo… Tem sempre o mesmo período, mas tanto parece mais rápido como mais lento, dependendo das situações…
Mas, afinal, o que é o tempo? Porque existe? Para que serve? Sentimos as suas marcas, a sua passagem por nós… Mas será mesmo importante?
É necessário haver uma estrutura na nossa vida, algumas regras que depois podemos quebrar. É importante que haja tempo, que exista horários... Mas não devemos, nem podemos, ser seus escravos. Escravos do tempo, escravos da nossa própria existência. Temos uma vida, devemos aproveitá-la ao máximo! Aproveitar o tempo, saber geri-lo. Tornar do tempo nosso aliado e não nosso inimigo. Porque, apesar de tudo, o nosso tempo aqui na Terra é muito pouco, quase nada. Há tanta coisa para ver, para sentir, para cheirar, para fazer. Não só como passatempo e para nosso próprio prazer como para melhorar o Mundo em geral, para ajudar quem mais precisa, para fazer a diferença. Com um gesto, um sorriso, uma palavra… Algo tão pequeno mas que pode fazer tanta diferença… E, às vezes, nem sequer temos tempo para tão pequenas coisas…
São onze horas e trinta e oitos minutos. Agora sim posso dormir.

